«Porquê?»<br>Um passo para o raciocínio
A interrogação abre espaço ao esclarecimento e ao conhecimento.
Que condições há para se atingir o passo da interrogação? Numa vida tão difícil , complicada e a complicar-se ainda mais, apetece simplificar. Isto será ouvir e esquecer para uns, ouvir e calar para outros, absorver e repetir para muitos.
Que condições há para se atingir o passo da interrogação? Numa vida tão difícil , complicada e a complicar-se ainda mais, apetece simplificar. Isto será ouvir e esquecer para uns, ouvir e calar para outros, absorver e repetir para muitos.
Quem não se interroga dificilmente intervém para alterar o que não lhe agrada
Notícias em catadupa, assuntos aparentemente dispares, desgraças de cá e do mundo perigosamente caiem na banalização por serem tão regulares e tão intencionalmente repetidas da mesma forma. Proliferam as respostas e análises de comentadores que sabem tudo sobre tudo em cima do acontecimento, como se não tivessem sido previamente formatadas para encaixar de forma que quem ouça ou leia pense que é a sua própria interpretação.
Alguém me fez recordar o filme O Clube dos Poetas Mortos (1). De facto é um exemplo de abertura de caminho que leva cada um a reflectir, a aprofundar o conhecimento, a encontrar respostas, a não correr o perigo do pessimismo.
A cena passa-se num colégio americano, profundamente conservador, onde o professor se atreve a considerar que a instrução é aprender a pensar por si próprio. À volta da poesia, os alunos são estimulados à compreensão, à liberdade de pensamento e de criação, à afirmação de convicções. Um exemplo, também, de que a desistência não leva a nada e a resignação não rima com liberdade.
A ignorância serve interesses. Prolongá-la é essencial para manter e agravar a apatia ou para assimilar as mensagens impostas.
Num quadro em que de formas e meios diversos a informação e a formação é quase exclusivamente numa única direcção e com um único objectivo, as dificuldades são imensas para inverter em massa o estímulo à ignorância convencida, às mistificações, à futilidade sistemática à propaganda de práticas sociais que encurralam os cidadãos entre a inconsciência e o abismo. (2)
Os comunistas travam um combate incessante contra a exploração do desconhecimento, da indiferença, da falta de confiança e de esperança. Os alertas, e a informação servem em primeiro lugar para esclarecer e contribuir para a reflexão de cada um e do colectivo.
A interrogação sobre factos e causas pode conduzir à alteração do comportamento. Quem não se interroga dificilmente intervém para alterar o que não lhe agrada e, se estiver distraído, ainda é apanhado na teia da sua própria responsabilização por tudo o que de mau tem na sua vida, como o desemprego, os sucessivos contratos a prazo, a deslocalização da empresa para o estrangeiro, o insucesso escolar, etc., etc..
Interrogar, sempre
Porquê os bancos com lucros de cerca de 1 600 milhões de euros, em 2005 (mais 370 milhões relativamente a 2004), e as famílias estarem cada vez mais endividadas?
Porquê 60 por cento das famílias portuguesas suportarem uma taxa de tributação de impostos entre 24 e 34 por cento do seu rendimento em 2004 e a banca pagar, no mesmo ano, uma taxa de 12,5 por cento sobre os seus lucros?
Porquê o crescimento em 13 por cento das maiores 10 fortunas em Portugal, e os trabalhadores serem submetidos à degradação dos salários reais, manterem-se reformas de miséria, alastrar a pobreza e a exclusão social?
Enfim, porquê esta política de distribuição da riqueza?
Porquê o PCP estar envolvido numa campanha de esclarecimento e de debate com os trabalhadores, os reformados e as novas gerações em defesa da Segurança Social pública, universal e solidária?
Porquê o Partido Socialista considerar a alteração ao sistema político a sua prioridade na sessão legislativa que agora se inicia?
Porquê a sucessão de agressões imperialistas procurando a hegemonia no plano dos recursos e do pensamento?
Porquê a resistência e a luta de milhões de trabalhadores e dos povos em todo o mundo?
Perguntas cujas respostas só podem ter conteúdo de classe e constituir para muitos o ponto de partida para a interpretação de fenómenos sociais e de crítica às opções políticas que determinam a sua vida e a realidade que lhes é dada a conhecer.
Interrogar pode conduzir à vontade de participar na inversão de um caminho que alguns querem fazer crer que é inevitável.
(1) Filme realizado por Peter Weir
(2)De uma crónica de Correia da Fonseca, no Diário do Alentejo, 1997
Alguém me fez recordar o filme O Clube dos Poetas Mortos (1). De facto é um exemplo de abertura de caminho que leva cada um a reflectir, a aprofundar o conhecimento, a encontrar respostas, a não correr o perigo do pessimismo.
A cena passa-se num colégio americano, profundamente conservador, onde o professor se atreve a considerar que a instrução é aprender a pensar por si próprio. À volta da poesia, os alunos são estimulados à compreensão, à liberdade de pensamento e de criação, à afirmação de convicções. Um exemplo, também, de que a desistência não leva a nada e a resignação não rima com liberdade.
A ignorância serve interesses. Prolongá-la é essencial para manter e agravar a apatia ou para assimilar as mensagens impostas.
Num quadro em que de formas e meios diversos a informação e a formação é quase exclusivamente numa única direcção e com um único objectivo, as dificuldades são imensas para inverter em massa o estímulo à ignorância convencida, às mistificações, à futilidade sistemática à propaganda de práticas sociais que encurralam os cidadãos entre a inconsciência e o abismo. (2)
Os comunistas travam um combate incessante contra a exploração do desconhecimento, da indiferença, da falta de confiança e de esperança. Os alertas, e a informação servem em primeiro lugar para esclarecer e contribuir para a reflexão de cada um e do colectivo.
A interrogação sobre factos e causas pode conduzir à alteração do comportamento. Quem não se interroga dificilmente intervém para alterar o que não lhe agrada e, se estiver distraído, ainda é apanhado na teia da sua própria responsabilização por tudo o que de mau tem na sua vida, como o desemprego, os sucessivos contratos a prazo, a deslocalização da empresa para o estrangeiro, o insucesso escolar, etc., etc..
Interrogar, sempre
Porquê os bancos com lucros de cerca de 1 600 milhões de euros, em 2005 (mais 370 milhões relativamente a 2004), e as famílias estarem cada vez mais endividadas?
Porquê 60 por cento das famílias portuguesas suportarem uma taxa de tributação de impostos entre 24 e 34 por cento do seu rendimento em 2004 e a banca pagar, no mesmo ano, uma taxa de 12,5 por cento sobre os seus lucros?
Porquê o crescimento em 13 por cento das maiores 10 fortunas em Portugal, e os trabalhadores serem submetidos à degradação dos salários reais, manterem-se reformas de miséria, alastrar a pobreza e a exclusão social?
Enfim, porquê esta política de distribuição da riqueza?
Porquê o PCP estar envolvido numa campanha de esclarecimento e de debate com os trabalhadores, os reformados e as novas gerações em defesa da Segurança Social pública, universal e solidária?
Porquê o Partido Socialista considerar a alteração ao sistema político a sua prioridade na sessão legislativa que agora se inicia?
Porquê a sucessão de agressões imperialistas procurando a hegemonia no plano dos recursos e do pensamento?
Porquê a resistência e a luta de milhões de trabalhadores e dos povos em todo o mundo?
Perguntas cujas respostas só podem ter conteúdo de classe e constituir para muitos o ponto de partida para a interpretação de fenómenos sociais e de crítica às opções políticas que determinam a sua vida e a realidade que lhes é dada a conhecer.
Interrogar pode conduzir à vontade de participar na inversão de um caminho que alguns querem fazer crer que é inevitável.
(1) Filme realizado por Peter Weir
(2)De uma crónica de Correia da Fonseca, no Diário do Alentejo, 1997